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SP diz que piscinões estão em dia, mas moradores e bióloga apontam problemas


Piscinão da rua dos Vianas, em São Bernardo cheio de mato. (Foto: Reprodução)

Com iminência de chuvas e de entrega do seu maior piscinão, o Jaboticabal, o ABC se volta para a manutenção destes reservatórios às vésperas da temporada de chuvas mais volumosas, que costumam trazer estragos como alagamentos e enchentes de maiores proporções. A agência SPÁguas, antigo DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), do governo paulista, garante que todos os 19 reservatórios da região estão com a manutenção em dia e anuncia para a segunda quinzena de dezembro a inauguração do Piscinão Jaboticabal.

As chuvas já começam a ficar mais intensas neste mês de novembro e seguem com pancadas mais fortes até o primeiro bimestre de 2026. Segundo a agência Climatempo, para os próximos 15 dias há previsão de chuva de baixa a média intensidade em 10 deles. Segundo a nota da SPÁguas os sistemas de retenção de água, popularmente chamados de piscinões estão em plenas condições de atuar para evitar as enchentes.
“A SP Águas realiza de forma contínua a limpeza, manutenção e operação dos reservatórios de controle de cheias no ABC. As ações realizadas entre janeiro e outubro de 2025 estão sendo consolidadas em relatório técnico. A limpeza e a manutenção dos 19 piscinões são feitas por uma empresa contratada pelo Estado, com acompanhamento direto da SP Águas. Todos os piscinões estão com os sistemas de bombeamento em bom funcionamento, de acordo com as inspeções de rotina realizadas pela equipe técnica da Agência”, diz a estatal em nota enviada ao RD. No mesmo comunicado a SPÁguas anuncia a inauguração do Piscinão Jaboticabal para a segunda quinzena de dezembro, ainda sem dia definido.

Mas moradores de áreas vizinhas aos piscinões dizem que não é bem assim. Um morador do bairro Baeta Neves, em São Bernardo, usou as redes sociais esta semana para mostrar a altura do mato no entorno do piscinão que fica ao lado da Rua dos Vianas. Segundo ele, por dentro o material que estava no leito do reservatório foi retirado, mas o mato do lado de fora toma conta até da calçada.

Para bióloga, ambientalista e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), Marta Marcondes, o piscinão é uma solução para drenagem que já se mostrou paliativo e insuficiente a longo prazo, apesar do seu grande investimento e de necessitar de muitas desapropriações e tempo para ser construído. Sem manutenção os danos podem ocorrer, segundo ela, não apenas em imóveis e áreas públicas, pode afetar também a saúde.

“O piscinão acumula tudo que se tem nos rios, lixo, todo o tipo de material contaminado. Quando a água abaixa, esse material fica retido, às vezes fica lá por meses e ele é composto por lixo e lodo que pode trazer vários problemas de saúde. Fizemos um levantamento na água parada que fica acumulada nos piscinões de São Caetano, em Santo André e Mauá e encontramos diversos tipos de bactérias, como a que causa leptospirose e outras que causam diarreia aguda, sem falar na quantidade enorme de larvas de mosquitos. Tudo isso aumenta o número de insetos e os riscos à saúde”, analisa Marta.

Vista aérea do Piscinão Jaboticabal, que deve ser inaugurado em dezembro. (Foto: Semil)

A ambientalista diz que as teorias antigas de que a retificação e a canalização dos rios e córregos seria a solução para a enchente, se provaram ineficazes e ainda aumentaram o problema e para ela os piscinões também já nascem fadados ao fracasso a médio e longo prazo.”O piscinão é um insucesso caro, demanda longo tempo para ficar pronto e inutiliza áreas enormes, que ficam sem uso na maior parte do ano. A curto prazo, quando se entrega um piscinão novo se vê uma melhora automática nas áreas que alagavam, mas a cidade continua crescendo e sendo impermeabilizada o que gera um potencial maior de estravazamento dos rios. Depois das primeiras chuvas vem a necessidade de limpeza que é muito cara, principalmente naqueles piscinões que são cobertos e precisam de um serviço muito especializado para limpeza”, diz a professora da USCS.

Segundo Marta Marcondes as cidades e o Estado podem se utilizar de diversos outros meios para controlar as enchentes em áreas menores, com manutenção mais barata e com eficiência maior. “É o que chamamos hoje de cidades-esponja, que contam com jardins de chuva, para absorver parte da precipitação, parques inundáveis e reservatórios menores ao longo dos rios”, enumera. Enquanto isso não acontece, apesar de considerar que os piscinões não são uma boa solução para as enchentes, Marta torce para que eles estejam em condições. “Em 2018, quando tivemos uma chuva que trouxe muitos estragos no ABC, eles não deram conta, tivemos casos em São Bernardo que as bombas não aguentaram e queimaram, então espero que se tenha colocado no orçamento o suficiente para garantir a manutenção”, completa.

Cidades

Em São Caetano, o piscinão que fica na avenida Guido Aliberti, é de responsabilidade da SPÁguas. Na parte que cabe ao município, a prefeitura destaca o programa Drenar e uma das ações dele é a construção do piscinão na rua Ceará, no Bairro Fundação, com a capacidade de armazenamento de 18 mil litros cúbicos de água. Segundo a administração municipal o Saesa (Sistema de Água, Esgoto e Saneamento Ambiental) realiza ações de limpeza e desobstrução em todas as bocas de lobo e redes de águas pluviais da cidade.

Para Marta Marcondes os piscinões não são a melhor solução para o problema das enchentes. (Foto: Reprodução)

O Programa Drenar São Caetano é financiado com recursos da CAF (Corporação Andina de Fomento) e contrapartida da prefeitura. “As entregas do programa estão previstas a partir do primeiro trimestre do próximo ano, não havendo, portanto, previsão de conclusão das principais frentes de drenagem até o primeiro bimestre”, diz nota do paço. Além do piscinão do bairro Fundação o programa prevê o alteamento do muro de contenção do Rio Tamanduateí, novas redes de drenagem e esgotamento sanitário em seis bairros, obras que custarão R$ 173 milhões.

A prefeitura de Ribeirão Pires informa que já realizou 70% das ações programadas para o ano em 39 mil metros lineares de córregos e rios que cruzam o município. Os bairros com maiores riscos de alagamentos são atendidos pelo menos três vezes ao ano, sendo eles: Barro Branco, Vila Belmiro e Quarta Divisão.

Rio Grande da Serra diz ter realizado o desassoreamento de córregos em áreas mais críticas. Também informou ter feito a limpeza e desobstrução de bocas de lobo. A prefeitura não informou o valor investido nestas obras de prevenção as enchentes.

Os piscinões existentes em Diadema estão todos sob a gestão do Estado, portando é a SPÁguas a responsável pela manutenção. O município também disse ter feito intervenções para evitar as cheias. “A prefeitura realiza periodicamente a manutenção de galerias e bocas de lobo e, este ano, mais de 500 galerias foram limpas. Também é realizado o desassoreamento de córrego, entre eles Grota Funda, Canhema, Olaria, Casa Grande, Fortaleza e Iguassú”, diz nota da prefeitura.

O paço diademense informou ainda que fez a manutenção da drenagem e entregou novos canais de escoamento as travessas São Diego e São Firmino, no Jardim Gazuza, bairro Casa Grande; Travessa Nova Salgueiro, na Vila Popular, bairro de Vila Nogueira; Travessa Nova Esperança, no Núcleo Habitacional Caviúna, no Jardim Inamar e em outras quatro vias do Núcleo ABC, no bairro Taboão. A administração municipal construiu 100 metros de calhas no leito do Córrego Iguassú, no Inamar, e concluiu a canalização do Córrego Grota Funda no Eldorado. Para 2026 estão previstos a canalização de 626 metros do Córrego Olaria e canalização do Córrego Viela Fortaleza.

A prefeitura de Mauá diz que solicita ao Estado a limpeza dos piscinões pelo menos duas vezes ao ao e, segundo a gestão, esses pedidos são atendidos. A cidade tem quatro piscinões. A gestão municipal de Mauá diz que o desassoreamento e a manutenção dos sistema de drenagem é periódica. “Está em andamento, por meio de parceria com o Governo do Estado, uma obra de drenagem que deve beneficiar a região do Paço Municipal, com a ampliação da vazão da água no sentido do rio Tamanduateí. Novos projetos de drenagem devem ser anunciados em breve”, destacou a prefeitura.

São Bernardo e Santo André não responderam até o fechamento desta matéria.






Fonte: Reporter Diário

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