
A queda de braço sobre a transposição das águas do Rio Pequeno, um dos braços da Billings, para o Taiaçupeba segue em Rio Grande da Serra. Um grupo de ativistas e ambientalistas contrários à intervenção iniciaram uma série de reuniões em busca de apoio popular para impedir a obra. Os encontros acontecem enquanto não há uma nova reunião com a Sabesp e o Poder Público local.
O primeiro encontro ocorreu com moradores da Estrada do Caracu e Sete pontes, na sede de uma ONG (Organização Não-Governamental) Aprisco. Segundo o engenheiro e ex-presidente do do Condema (Conselho Municipal do Meio Ambiente) de Rio Grande da Serra, Amaury Monteiro Júnior, a intenção do encontro não é fazer discursos inflamados, mas demonstrar na prática o que vai acontecer com cada local em que a obra passará.
“Estamos fazendo este levantamento justamente para mostrar para as pessoas que a obra não é brincadeira. Que essa obra afeta pessoas, afeta residências, afeta a vida do município. Quando você vê o mapa do município você vê claramente que o município ficará cortado no meio.”, explica.
Existem preocupações com a parte de infraestrutura para a passagem das tubulações que serão usadas para a transposição, principalmente com o fato de as ruas terem 3,5 metros de largura, o que seria muito pouco para este tipo de obra. Além disso, Amaury aponta que o local não conta com ruas asfaltadas, ou sejam, não contam com um terreno que possa ser recuperado posteriormente.
Outro ponto colocado pelo engenheiro é a possibilidade de problemas futuros de abastecimento para toda a região, fato que fez com que o grupo buscasse entendimentos com outras entidades da região como a Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), em sua subsede em São Bernardo.
Reuniões
A princípio estava marcada um encontro entre a Sabesp, membros do Condema de Rio Grande da Serra, vereadores e integrantes da Prefeitura na Câmara Municipal, no dia 25. Porém, a reunião acabou desmarcada. Existe a possibilidade de ocorrer em 30 de março, mas ainda não foi confirmado.
O grupo ainda aguarda a apresentação de documentos que mostrem os estudos de impacto, além de alternativas ao atual projeto que teve sua obra iniciada em Suzano.
Enquanto aguardam tais informações, o grupo também se articula em outras frentes. Um abaixo-assinado foi iniciado para conseguir apoio contra a obra. Até o fechamento desta reportagem o documento contava com 2,2 mil assinaturas. Além disso, existe a busca de advogados para conseguir judicializar tal processo. Uma das preocupações do grupo é o uso eleitoreiro de tal intervenção, como se fosse a alternativa correta para reduzir os problemas de abastecimento na Grande São Paulo.
Outro lado
O Governo do Estado apresentou um estudo da USP (Universidade de São Paulo), há três semanas, que comprova a viabilidade da captação da água do Rio Pequeno. A obra prevê a transferência de 4 mil litros por segundo para o Sistema Produtor Alto Tietê. O investimento total é de R$ 1,4 bilhão.
“A análise da Fundação Centro Tecnológico de Hidráulica (FCTH), da Universidade de São Paulo, utilizou séries históricas de vazões de 1930 a 2024 – quase 95 anos de dados – e simulou o comportamento do Rio Pequeno e da Billings em diferentes cenários, incluindo as piores secas já registradas no estado. Os resultados consolidados são conclusivos: a nova captação apresenta 100% de garantia hidrológica, o que significa que, mesmo nos períodos mais críticos de estiagem, a água estará disponível para abastecimento humano. As demandas prioritárias – como o abastecimento das cidades do ABC por meio das Estações de Tratamento de Água (ETAs) Rio Grande, Santo André e Ribeirão da Estiva, e a transposição Taquacetuba, que leva água para o Sistema Guarapiranga – mantêm-se com garantia superior a 98%.”, disse o Estado na divulgação do estudo.

